segunda-feira, 18 de julho de 2011
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domingo, 7 de dezembro de 2008
O Terramoto e o tsunami em 1755

O Terramoto de 1 de Novembro de 1755 atingiu violentamente o país, destruiu o centro da cidade de Lisboa e abanou as consciências e o pensamento de inúmeros intelectuais europeus. Figuras com Kant ou Voltaire escreveram importantes reflexões sobre a génese de fenómenos naturais de tão grande escala e sobre as leis que governam a natureza. O que muitos não saberão é que ao terramoto seguiu-se um violento tsunami, ou maremoto, cuja dimensão e impacto é actualmente alvo de estudo por investigadores portugueses.
Estes e outros assuntos, em torno do Terramoto de 1755, serão apresentados e debatidos amanhã, dia 31, em um colóquio no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, a partir das 15:30h.
Cenas de Timor-Leste Gestos

Cenas de Timor-Leste Gestos
Posted by Diana Andringa under Testemunhos
Um homem desdobra, cuidadosamente, quase com carinho, um papel muitas vezes dobrado. Desfaz-lhe os vincos como quem acaricia as rugas de um ente querido. Uma mulher está sentada, muito direita. As mãos, pousadas sobre a mala, no colo, dizem tudo sobre a importância do seu conteúdo. Quando a abre, são papéis o que sai do interior. Como são papéis o que outros, sérios e graves como eles, depositam sobre a mesa.
Estamos em Maliana, Timor-Leste, e estes papéis são testemunho e razão de actos da resistência, armada ou clandestina. Apanhados pelo inimigo, poderiam significar a morte do seu portador, ou dos responsáveis pelo local onde estavam guardados.
Isso mesmo diz, em Leotela, um dos responsáveis da Resistência, ao depositar . um conjunto de documentos nas mãos de um historiador - um homem que, espera, dê sentido a todos esses papéis. Di-lo de uma forma simples, lapidar: «Isto é o nosso sangue, a nossa vida.» Sabe porque o diz: muitos dos seus companheiros foram mortos, muitos sofreram, por razões que esses documentos ajudam a explicar.
Há lágrimas nos olhos do historiador, dos populares, de todos que assistem a essa entrega de documentos. Como haverá outro dia, noutra terra, Suai, onde responsáveis da resistência entregam ao historiador e aos que o acompanham não só os documentos que lograram esconder, mas os restos, queimados, que retiraram das casas incendiadas pelo inimigo.
São três cenas de Timor-Leste, testemunhadas em 2005. Lembrei-me delas em 2007, quando, na prisão de Mansoa, na Guiné-Bissau, Carlos Sambu, um antigo preso, abriu a camisa para mostrar algo cuidadosamente escondido: documentos da época da clandestinidade, entre os quais um bilhete em que Rafael Barbosa, então dirigente do PAIGC, o apresentava a Amílcar Cabral. Preso em Mansoa, deportado depois para o Tarrafal, aqueles papéis preservados com mil cuidados são parte da sua história, que exibe com alegria, mais que com orgulho, frente aos antigos camaradas de prisão.
São gestos que me vêm à memória sempre que vejo a displicência - quase o desprezo - com que, em Portugal, se trata a memória da Resistência ao Estado Novo. (E não me refiro apenas à tendência para transformar lugares marcantes dessa memória em condomínios e pousadas.)
Há um ano, em 2 de Dezembro de 2007, houve em Dili duas cerimónias extraordinárias: no Ginásio da Universidade, uma cerimónia pública solene, presidida pelo Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão, de reconhecimento do Estado de Timor-Leste a 205 guerrilheiros que integraram a frente armada na luta pela independência nacional por mais de 15 anos, sob a forma da entrega de um cheque no montante de nove mil e seiscentos dólares americanos; no Arquivo & Museu da Resistência Timorense, a imposição da Ordem da Guerrilha aos Combatentes da Libertação Nacional. As duas foram resultado de um minucioso trabalho de memória, feito sob a égide do então Presidente da República, Xanana Gusmão: a realização de um vasto conjunto de inquéritos com vista ao apuramento e verificação dos dados relativos aos combatentes da Resistência tornou possível, com ampla participação popular, assinalar publicamente o esforço e o sofrimento desses timorenses.
Talvez Portugal e outros países da CPLP tenham algo a aprender com Timor…
sábado, 6 de dezembro de 2008
Índices dos Processos de Habilitação para Familiar do Santo Ofício da Inquisição
Índices dos Processos de Habilitação para Familiar do Santo Ofício da Inquisição
de Luis Amaral, Rui Gil e Hugo Sousa Tavares
Editora: Guarda-Mor
Ano do Livro: 2008
Ano da Edição: 2008
Nº Páginas: 750
Encadernação: Capa dura
Só o especial empenho pessoal do rei D. João III nas pressões que exerceu junto da Santa Sé permitiu a introdução da Inquisição em Portugal, oficializada por bula de 23 de Maio de 1536. Com alguma irregularidade na sua actuação ao longo dos tempos, entrou em decadência em meados do século XVIII e foi oficialmente abolida em 1821.
O Tribunal do Santo Ofício, presidido pelo inquisidor-mor e coadjuvado pelo Conselho Geral, incluía os promotores, escrivães, notários, deputados, meirinhos, alcaides do cárcere, solicitadores e porteiros. Na base da pirâmide estavam os familiares, que desempenhavam por vezes funções inquisitoriais mas tinham, na sua maioria, um papel pouco activo, servindo-lhes o estatuto de familiar essencialmente objectivos de ordem social e de certificado da chamada "limpeza de sangue".
A admissão dos familiares era precedida de um processo de habilitação em que os candidatos deveriam apresentar as suas genealogias – pais e avós, filhos e outros parentes de referência, nomeadamente já admitidos como familiares; as suas respecitvas naturalidades e residências e outros dados considerados relevantes para o processo, posteriormente averiguados e confirmados. Eram ouvidas testemunhas e recolhidos os seus depoimentos sobre o carácter e personalidade dos candidatos, suas vidas familiares e sociais, condições financeiras, ocupação profissional, etc.
A abundância de informação – genealógica, sociológica, toponímica - contida nestes processos que abrangem todo o país, do Minho ao Agarve, das Ilhas ao Brasil, e todas as classes sociais justifica o imenso interesse que tem merecido por parte dos investigadores e não espanta, por isso, que este núcleo do Arquivo Nacional da Torre da Tombo seja naturalmente dos mais consultados. Na mesma linha de divulgação dos acervos da Torre do Tombo em que as Edições do Guarda-Mor se têm empenhado em estreita colaboração com a Associação dos Amigos daquele Arquivo, o trabalho que Luis Amaral, Rui Gil e Hugo Sousa Tavares agora publicam: “Índices dos processos de Habilitação para Familiar do Santo Ofício da Inquisição”, agrupa num único volume os dois núcleos de processos – cerca de 25.400 processos de habilitações e 5.400 de habilitações incompletas – apresentando os índices dos processos não só por ordem alfabética do primeiro nome mas também por apelido, com indicação das cotas dos respectivos processos, num volume de 750 páginas.
A obra “Índices dos Processos de Habilitação para Familiar do Santo Ofício da Inquisição”, terá uma tiragem praticamente limitada aos subscritores.
A MINHA VERSãO DA LUSOFONIA - Chrys Chrystello
Setembro 2008
Quando cheguei da Austrália (a Portugal) fui desafiado pelo meu saudoso mentor, José Augusto Seabra, a fazer os Colóquios da Lusofonia longe estava eu de supor que em Outubro de 2008 estaria a realizar o 10º colóquio, sendo o 7º em Bragança.
Desde então, ao contrário do mundo ocidental que confunde multiculturalismo com islamismo e outros ismos, tenho definido a minha versão de Lusofonia. Mas o que entendo dela é aquilo que foi expresso ao longo destes últimos anos, em cada um dos Colóquios sendo esta uma visão das mais abrangentes possíveis, que visa incluir todos na Lusofonia que não tem de ser Lusofilia nem Lusografia e muito menos a Lusofolia que por vezes parece emanar doutras entidades. Cada vez mais gente parece aceitar esta minha versão que muitas pontes tem ajudado a construir como se verá este ano, quando terminado o Colóquio nos dirigirmos à Galiza para abrir oficialmente a ACADEMIA GALEGA DA LINGUA PORTUGUESA.
Houvesse da parte das entidades responsáveis igual vontade, dedicação e trabalho como este que gratuita e desinteressadamente tem sido feito e mais se poderia construir neste deserto materialista e egoísta em que vivemos, onde só existem más vontades e falsos cognatos. Vamos falar sobre o 7º Colóquio Anual da Lusofonia que terá lugar no centro Cultural Municipal de Bragança nos dias 2,4, e 5 de Outubro de 2008.
Este ano iremos falar da «Língua Portuguesa e Crioulos: um enriquecimento biunívoco». Para isso teremos como convidado de honra JOÃO CRAVEIRINHA, moçambicano, escritor e artista plástico, além de inúmeros especialistas na área como a Professora Doutora Dulce Pereira que terão uma sessão de apresentação e autógrafos dos seus livros. Igualmente foi possível trazer de novo a Bragança os dois académicos que em 2007 acederam a serem patronos deste evento: Malaca Casteleiro da Academia de Ciências de Lisboa e Evanildo Bechara da Academia Brasileira de Letras. Igualmente presentes deverão estar Adriano Moreira (Presidente da Academia) e Artur Anselmo
Teremos também uma Homenagem contra o esquecimento pelo 4º centenário do PADRE ANTÓNIO VIEIRA e pelo 1º centenário de VITORINO NEMÉSIO, e o habitual tema de Estudos de Tradução, com mais de (30) TRINTA oradores do Brasil, Portugal, Moçambique e Galiza. Enquanto a tradução de obras portuguesas não estiver suficientemente difundida, a língua portuguesa não pode alcandorar-se ao nível de reconhecimento mundial doutras línguas. Começa a haver um certo número de traduções de livros de autores portugueses, mas é altamente deficiente e deficitária. Uma das formas de preservar a língua é através da tradução. Só a tradução de obras permite a divulgação, algo muito importante na preservação da língua.
Dentre os subtemas contam-se
1.1. O Português como matriz dos crioulos no mundo
1.2. Os Crioulos e a sua influência nas variantes de Português no mundo
1.3. Ensino dos Crioulos
1.4. O estado das variantes do Português.
1.5. Línguas Minoritárias e Multiculturalismo
1.6. A Lusofonia no mundo, análise e perspectivas.
1.7. O Ensino da Língua Portuguesa como forma de preservação cultural
1.8. Interculturalidade e Diversidades Culturais no seio da Lusofonia.
São as seguintes as instituições representadas
Academia Brasileira de Letras
Academia de Ciências de Lisboa,
Academia de Letras de Brasília,
AGAL Galiza;
Associação pró Academia Galega da Língua Portuguesa,
blogue A Bem da Nação,
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa,
Clube dos Poetas Vivos (Galiza),
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança,
Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Instituto Politécnico do Porto,
Movimento Internacional Lusófono,
Universidade do Algarve,
Universidade de Évora,
Universidade de Lisboa,
Universidade do Minho,
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro,
Universidade Estadual de Santa Cruz da Bahia, Brasil,
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Universidade Lusófona,
Universidade Mackenzie de São Paulo,
Universidade de Nottingham no Reino Unido,
Universidade de São Paulo Brasil,
Sim, porque convém não esquecer que desde a primeira hora nunca distinguimos entre os diversos graus de ensino para dar voz a quem achamos que a deve usar, fruto da sua investigação, apoiada ou não por fundos conjunturais ou não.
Quando em 2001 iniciámos estes Colóquios sob a égide do nosso saudoso primeiro patrono Embaixador Professor Doutor José Augusto Seabra - queríamos provar que era possível descentralizar a realização destes eventos sem sermos subsídio-dependentes. Portugal é um país macrocéfalo; cada ano que passa existe mais Lisboa e o resto confina-se apenas à paisagem. Com a saída de serviços vitais, o êxodo de pessoas e subsequente a diminuição da população escolar, a falta de emprego, e todos os poderes decisórios radicados em Lisboa, cidades como Bragança estão por vezes mais perto de Madrid do que da capital.
Tentando lutar contra essa tendência, conseguiu-se que estes colóquios se tornassem, graças à nossa persistência, na única iniciativa, concreta e regular em Portugal nos últimos seis anos sobre esta temática. Caracterizam-se pela sua completa independência de quaisquer forças políticas ou institucionais o que permite viabilizar a participação de um leque alargado de oradores, desassombrados, sem peias, sem temores nem medo de represálias dos patrocinadores institucionais, sejam eles governos, universidades ou meros agentes económicos. Contamos desde a primeira hora com o apoio logístico essencial da Câmara Municipal de Bragança que o divulga e a ele se associa.
Os encontros e conferências de formato tradicional são reuniões de boas intenções com a posterior publicação de Actas de conclusões, mas nós inovámos e introduzimos em 2002, algo hoje normal, o hábito de entregar CD com as Actas no início das sessões. Estes Colóquios independentemente das grandes directrizes aprovadas nos gabinetes de Lisboa ou de Brasília têm servido para inúmeras pessoas aplicarem o saber doutros colegas à realidade do seu quotidiano de trabalho, aproveitando a experiência profissional e pessoal de cada um dentro da sua especialidade e dos temas que estão a ser debatidos, para que os restantes possam depois partir para o terreno, para os seus locais de trabalho e utilizarem esses instrumentos que já deram resultados noutras comunidades. Verificou-se a criação de uma rede informal que permitiu um livre intercâmbio de experiências e vivências, ao longo dos anos.
Em 2004 fizemos a campanha que ajudou a salvar o Ciberdúvidas, em 2005 assistimos ao lançamento do Observatório da Língua Portuguesa integrado na CPLP, em 2006 foi lançamos a primeira pedra para a criação da Academia Galega da Língua Portuguesa, em 2007 o 1º Prémio Literário da Lusofonia patrocinado pela Câmara e fomos os primeiros a discutir e lançar as bases da discussão pública que viria a culminar na assinatura do Acordo Ortográfico. Em 2008 já demos continuidade à discussão sobre o Acordo ortográfico no 3º Encontro Açoriano da Lusofonia e à concretização desse grande projecto que é a Diciopédia ou Dicionário Contrastivo da Língua Portuguesa e Dicionário de Açorianismos, saindo deste Colóquio para assistir a esse acto histórico que é o primeiro acto oficial da Academia Galega da Língua Portuguesa nascida de muitos labores com o apoio destes Colóquios.
Os nossos oradores “típicos” não buscam mais uma conferência para juntar aos seus currículos, antes estão interessados em partilhar as suas ideias, projectos, e criar sinergias com universidades, politécnicos e outras entidades e pessoas nos quatro cantos do mundo. São eles que voluntariamente já arrancaram com o ambicioso projecto da Diciopédia nas suas horas livres, sem buscarem fama ou proveito, antes irmanados deste nosso ideal de “sociedade civil” capaz e actuante, tal como nós que organizamos voluntária e gratuitamente estes colóquios. Somos – todos juntos – capazes de atingir aquilo que as burocracias e as hierarquias muitas vezes não podem ou não querem. Acreditámos que somos capazes de fazer a diferença. Os nossos oradores “típicos” juntam-se aos colegas no primeiro dia de trabalhos, partilham as suas refeições, as suas comunicações, os passeios, e despedem-se no último dia como se de amigos se tratasse. É isso que nos torna distintos de qualquer outro colóquio ou simpósio e é isso que vamos repetir este ano.
Por outro lado, as actividades paralelas e a sua componente lúdica-cultural permitem uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e presenciais, caracterizada por almoços e jantares e passeios lúdico-culturais em que do convívio saem reforçados elos que se irão manter. Todos os anos os participantes têm podido trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, fora das sessões, alargando esta rede informal dos colóquios. Este ano iremos depois de visitar a Cidadela, Museu Militar e Museu da Máscara, até Miranda do Douro, património histórico e linguístico esquecido nos confins deste nordeste transmontano.
Todos os anos começo o discurso de abertura falando longamente sobre a história de Bragança e das suas gentes, desconhecida para a maior parte das pessoas, porque não se estuda, e se não se estuda não interessa saber, pois existe este complexo verdadeiramente único do povo português de não dar valor ao que tem, e muito menos às suas heranças culturais e linguísticas. Creio que sem as conhecermos seremos incapazes de preservar a nossa língua e cultura.
Os portugueses e brasileiros não têm uma verdadeira política da Língua, e não conjugam objectivos através duma CPLP adormecida, enquanto franceses e ingleses estão bem activos. O actual impacto mundial da língua portuguesa existe sobretudo por acção dos outros. A República Popular da China prepara os seus quadros para dominarem a língua portuguesa e desta forma conquistar mercados lusofalantes. Irá depender sobretudo do esforço de liderança brasileiro que a Lusofonia poderá avançar, levando a reboque os países africanos cheios de complexos do colonizador português.
O português que se fala em Portugal varia da Bragança dos Colóquios aos Açores onde vivo actualmente. Todos falam Português e falam diferente de Norte a Sul, de leste a oeste. São lusofalantes todos aqueles que têm o Português como língua-mãe, língua de trabalho ou língua de estudo, vivam eles no Brasil, em Portugal nos PALOP’s, na Galiza, em Macau ou em qualquer outro lugar. Sejam eles nativos, naturais, nacionais ou não de qualquer um dos países lusófonos.
A língua é alimentada de forma diferente de acordo com as realidades sociais, económicas, culturais, dos países onde está instituída e geograficamente distantes uns dos outros. Ela pode ser a ponte entre esses países e as comunidades lusofalantes. Já na abertura do 2º Colóquio em 2003 tentei alertar contra os fundamentalistas de várias cores que visam preservar uma visão estática da língua portuguesa que se opõem a quaisquer inovações da língua e às alterações que a novo dicionário da Academia de Ciências veio introduzir e a que se segue agora o novo acordo ortográfico.
Como me dizia Henrique Salles da Fonseca: «Um escritor é, por definição, um pensador. Ao escrever o que pensa, o escritor traz para a praça pública a sua ideia e põe-na à consideração dos leitores. Ou seja, põe os leitores a pensar». Ora, pensar é um exercício muito menos praticado do que o desejado pois há muita gente que age automaticamente aos estímulos que lhe chegam. O pensamento multiplica as ligações entre os neurónios e é precisamente a densidade dessa rede que permite ao cérebro aumentar as capacidades originais.
O Professor António Damásio, autor do livro «O erro de Descartes» – demonstrou que o cérebro de um adulto analfabeto é significativamente diferente (menor capacidade) do de um letrado (maior capacidade). O desenvolvimento das sociedades tem a ver com a capacidade mental dos seus membros e não com os exauríveis recursos naturais. Vejam-se os casos do Japão em comparação com Angola, da Suíça com o Afeganistão ou ainda o caso de Singapura. Isto permite-nos extrapolar que o escritor é o motor do desenvolvimento.
Só através de uma política efectiva de língua se poderá defender e promover a expansão do espaço cultural lusófono, contribuindo decisivamente para a sedimentação da Língua Portuguesa como um dos principais veículos de expressão mundiais. Que ninguém se demita da responsabilidade na defesa do idioma independentemente da pátria.
Hoje como ontem, a língua de todos nós é vítima de banalização e do laxismo. Em Portugal, infelizmente, a população está pouco consciente da importância e do valor do seu património linguístico. Falta-lhe o gosto por falar e escrever bem, e demite-se da responsabilidade que lhe cabe na defesa da língua que fala. Há outros aspectos de que, por serem tão correntes, já mal nos apercebemos: o mau uso das preposições, a falta de coordenação sintáctica, e a violação das regras de concordância, que, logicamente, afectam a estrutura do pensamento e a expressão. Além dos tratos de polé que a língua falada sofre nos meios de comunicação social portugueses, uma nova frente se está a abrir com o ciberespaço e com as novas redes de comunicação em tempo real.
Urge pois apoiar a comunicação social, promover uma verdadeira formação dos professores da área, zelar pela dignificação da língua portuguesa nos organismos internacionais, dotando-os com um corpo de tradutores e intérpretes profissionalmente eficazes. A actual crise portuguesa não é meramente económica mas reflecte uma nação em crise, dos valores à própria identidade.
Estes colóquios pretendem alertar-nos para a necessidade de sermos competitivos e exigentes, sem esperarmos pelo Estado ou pelo Governo e tomarmos a iniciativa em nossas mãos. Assim como criamos estes Colóquios, também cada um de vós pode criar a sua própria revolução, em casa com os filhos, com os alunos, com os colegas e despertar para a necessidade de manter viva a língua de todos nós. Sob o perigo de soçobrarmos e passarmos a ser ainda mais irrelevantes neste curto percurso terreno.
Num país em que falta uma visão estratégica para uma verdadeira POLÍTICA DA LÍNGUA, onde o cinzento uniformismo é a regra de referência, onde a competição é uma palavra tabu, onde o laxismo e a tolerância substituem a exigência e a disciplina, onde a posse de um diploma superior constitui ainda uma inegável vantagem competitiva, claro que continua a grassar a desresponsabilização. Os cursos superiores estão desajustados do mercado de trabalho, as empresas vivem alheadas das instituições académicas, existem cursos a mais que para pouco ou nada servem, existem professores que mantêm cursos abertos para se manterem empregados. Ao contrário do que muitos dizem Portugal não tem excesso de licenciados mas sim falta de empregos. Mas será que falam Português?
Cada vez menos, quando o ensino do primário aos níveis superiores se caracteriza pelo menor denominador comum, pela passagem de ano de todos os alunos, pela redução da exigência de conhecimentos e de saber, ao ponto de daqui a uns anos termos uma pessoa com o actual 12º ano a saber provavelmente menos do que uma com a antiga quarta classe. O mesmo se poderá dizer de muitos licenciados e mestrados quando comparados com os de há umas décadas atrás. São bonitos para as estatísticas mas atrasam ainda mais o país pois roubam-lhe conhecimentos e saberes imprescindíveis para reduzir o fosso com a Europa e com o resto do mundo desenvolvido.
Os emigrantes ucranianos de elevado nível cultural que trabalham na construção civil em Portugal não entendem como a escola português é tão pouco exigente e aqui se ganha tanto quando no país de origem a escola é bem mais exigente os salários são baixíssimos. Por outro lado sabe-se como é difícil evitar a purga de grandes cientistas portugueses a trabalharem actualmente no estrangeiro e evitar que novos valores continuem a emigrar.
Nos nossos colóquios pretende-se repensar a Lusofonia, como instrumento de promoção e aproximação de povos e culturas, usando Bragança como terra congregadora de esforços e iniciativas em prol da língua de todos nós da Galiza a Cabinda e Timor, passando pelos países de expressão portuguesa e por todos os outros países onde não sendo língua oficial existem Lusofalantes.
Quanto a Bragança encontrei aqui formas vernaculares (quase medievais) da língua que perduraram a todos os níveis da população independentemente da sua classe socioeconómica e da sua educação, mas de que constato uma quase vergonha dos seus falantes por acharem que não falam português correcto, o que aliado à desertificação humana desta região tende igualmente a acabar.
No tocante ao futuro da língua portuguesa no mundo não hesito em afirmar que de momento está salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português.
Recentemente o emérito linguista anglófono Professor David Crystal escrevia “
O Português parece-me, tem um futuro forte, positivo e promissor garantido à partida pela sua população base de mais de 200 milhões, e pela vasta variedade que abrange desde a formalidade parlamentar até às origens de base do samba. Ao mesmo tempo, os falantes de português têm de reconhecer que a sua língua está sujeita a mudanças – tal como todas as outras – e não se devem opor impensadamente a este processo. Quando estive no Brasil, no ano passado, por exemplo, ouvi falar dum movimento que pretendia extirpar todos os anglicismos. Para banir palavras de empréstimo doutras línguas pode ser prejudicial para o desenvolvimento da língua, dado que a isola de movimentações e tendências internacionais. O inglês, por exemplo, tem empréstimos de 350 línguas – incluindo Português – e o resultado foi ter-se tornado numa língua imensamente rica e de sucesso. A língua portuguesa tem a capacidade e força para assimilar palavras de inglês e de outras línguas mantendo a sua identidade distinta. Espero também que o desenvolvimento da língua portuguesa seja parte dum atributo multilingue para os países onde é falada de forma a que as línguas indígenas sejam também faladas e respeitadas, O que é grave no Brasil dado o nível perigoso e crítico de muitas das línguas nativas.
Posteriormente contactei aquele distinto linguista preocupado com a extinção de tantas línguas e a evolução de outras. Mostrava-me impressionado sobretudo pelo rumo que língua portuguesa estava a ter após décadas da minha diáspora. Sabendo como o inglês destronou línguas em pleno Reino Unido, tal como Crystal afirma no caso do Cúmbrico, Norn e Manx, perguntava ao distinto professor qual o destino da língua portuguesa, sabendo que o nível de ensino e o seu registo eram cada vez mais baixos, estando a ser dizimados por falantes ignorantes, escribas, jornalistas e políticos sem que houvesse uma verdadeira política da língua em Portugal e alguns esforços para criar uma no Brasil.
A sua resposta pode-nos apontar um de muitos caminhos. Diz Crystal:
«As palavras de empréstimo mudam, de facto, o carácter duma língua, mas como tal não são a causa da sua deterioração. A melhor evidência disto, é sem dúvida a própria língua inglesa que pediu de empréstimo mais palavras do que qualquer outra, e veja-se o que aconteceu ao Inglês. De facto, cerca de 80% do vocabulário inglês não tem origem Anglo-Saxónica, mas sim das línguas Românticas e Clássicas incluindo o Português. É até irónico que algumas dos anglicismos que os Franceses tentam banir actualmente derivem de latim e de Francês na sua origem.
Temos de ver o que se passa quando uma palavra nova penetra numa língua. No caso do Inglês, existem triunviratos interessantes como kingly (Anglo-saxão), royal (Francês), e regal (Latim) mas a realidade é que linguisticamente estamos muito mais ricos tendo três palavras que permitem todas as variedades de estilo que não seriam possíveis doutro modo. Assim, as palavras de empréstimo enriquecem a expressão. Até hoje nenhuma tentativa de impedir a penetração de palavras de empréstimo teve resultados positivos. As línguas não podem ser controladas.
Se as línguas adoptam palavras de empréstimo isto demonstra que elas estão vivas para uma mudança social e a tentar manter o ritmo. Trata-se dum sinal saudável desde que as palavras de empréstimo suplementem e não substituam as palavras locais equivalentes. O que é deveras preocupante é quando uma língua dominante começa a ocupar as funções duma língua menos dominante, por exemplo, quando o Inglês substitui o Português como língua de ensino nas instituições de ensino terciário. É aqui que a legislação pode ajudar e introduzir medidas de protecção, tais como obrigação de transmissões radiofónicas na língua minoritária, etc. existe de facto uma necessidade de haver uma política da língua, em especial num mundo como o nosso em mudança constante e tão rápida, e essa política tem de lidar com os assuntos base, que têm muito a ver com as funções do multilinguismo.
Recordo ainda que não é só o inglês a substituir outras línguas. No Brasil, centenas de línguas foram deslocadas pelo Português, e todas as principais línguas: Espanhol, Chinês, Russo, Árabe afectaram as línguas minoritárias de igual modo.»
Jamais podemos esquecer que a língua portuguesa mudou através dos tempos, e vai continuar a mudar. A língua não é um fóssil. Também hoje, a mudança está a acontecer.
Já no 5º Colóquio em 2006 debatemos modelos de normalização linguística na Galiza e a situação presente, onde o genocídio linguístico atingiu uma forma nova e subtil, já não através da perseguição aberta e pública do galego, como em décadas passadas, mas pela promoção social, escolar e política de uma forma oral e escrita deturpada, castelhanizada, a par de uma política activa de exclusão dos dissidentes lusófonos (os denominados reintegracionistas e lusistas). Debateu-se uma Galiza que luta pela sua sobrevivência linguística, numa altura em que a UNESCO advertiu do risco de castelhanização total nas próximas décadas. Falou-se de história, dos vários avanços e recuos e de vários movimentos a favor da língua portuguesa na Galiza, teceram-se críticas, comentários e apontaram-se soluções, sendo quase universalmente exigida a reintrodução do Português na Galiza através de várias formas e meios. Existe aqui ampla oportunidade para as televisões portuguesas descobrirem aquele mercado de quase três milhões de pessoas. As oportunidades comerciais de penetração da Galiza podem ser uma porta importante para a consolidação da língua naquela região autónoma.
Foi sobejamente assinalada a quase generalizada apatia e desconhecimento do problema da língua na Galiza por parte dos portugueses e o seu esquecimento por parte das entidades oficiais sempre temerosas de ofenderem o poder central em Madrid. Os Portugueses quase sempre alheados destes problemas e sempre temerosos de ofenderem a vizinha Espanha esquecem-se de que a vizinha e irmã é a Galiza e não a Espanha da velha Castela e da unificação à força. Foi nos primeiros dias do ano de 2006 na RTP num telejornal à hora do almoço, que pela primeira vez ouvimos falar os Galegos sobre os seus problemas com a nossa (e deles) língua. Qual é a nossa responsabilidade como professores, jornalistas, estudiosos da língua em relação a esta guerra silenciosa que aqui ao lado consome tantos e a nós nos deixa indiferentes. Trata-se dum povo que fala a língua da Lusofonia de que tantos falam mas de que tão poucos cuidam. Ou será que a Lusofonia continua a ser entendida por muitos como uma extensão do ex-Império? Esses velhos do Restelo, amantes dum passado que se espera nunca mais volte têm de despertar para a realidade e confrontar-se com ela por mais desagradável que lhes seja.
Faltam iniciativas como esta para alertar, um número cada vez maior, as pessoas para este genocídio linguístico, desconhecido e que mora mesmo aqui ao lado. Por outro lado, constatou-se a necessidade de uma maior concertação e união entre as várias associações em campo que propugnam a língua portuguesa na Galiza. A sua presença regular em eventos semelhantes em Portugal pode alargar o número de académicos preocupados com o tratamento de polé dado à língua nossa antepassada num território que por mercê duma conquista histórica de há 500 anos teima em não perder a sua língua original, que é a nossa. Foi nesse ano que Martinho Montero anunciou a criação duma Academia Galega da Língua Portuguesa, sem dúvida um passo simultaneamente arriscado e ousado que se concretiza já dia 6 de Outubro de 2008, dois anos depois do seu anúncio como concretização do sonho de muitos galegos.
Os meus compatriotas aborígenes australianos preservaram a sua cultura ao longo de sessenta mil anos, sem terem escrita própria, mas a sua cultura foi mantida até aos dias de hoje, pois assentava na transmissão via oral de lendas e tradições. Este é um dos exemplos mais notáveis de propagação das características culturais de um povo que nunca foi nação.
Uma das coisas mais importantes que a Austrália me ensinou foi a tolerância pelas diferenças étnicas e culturais, e o facto de ter aprendido a conviver e a viver com a diferença. Sem aceitarmos estas diferenças jamais poderemos progredir, pois que só da convivência com outras etnias e culturas poderemos aspirar a manter viva a nossa. Devemos aceitar a Lusofonia e todas as suas diversidades culturais sem exclusão, que com a nossa podem coabitar. Essa a mensagem dos 5 colóquios anuais da lusofonia e dos encontros açorianos da lusofonia. Para o ano avizinha-se um tema ainda mais polémico e a necessitar de debate: “O Português no século XXI, a variante brasileira rumo ao futuro. O risco real da separação ou não. Unificação ou diversificação: esta a agenda para as próximas décadas.”
Creio que como cidadão australiano há mais de 25 anos a lutar em prol da preservação da língua e cultura portuguesa de meus antepassados, ninguém está mais interessado na sua preservação. Creio que ela poderá ser feita numa evolução dinâmica aceitando os desafios e alterações que a própria língua inevitavelmente irá sofrer.
O espaço dos Colóquios Anuais da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projectos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendo pois creio que é a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão. Se aceitarmos todas as variantes de Português sem as discriminarmos ou menosprezarmos, o Português poderá ser com o Inglês uma língua universal colorida por milhentos matizes da Austrália aos Estados Unidos, dos Açores às Bermudas, à Índia e a Timor.
Uma última palavra, iremos celebrar parcerias e protocolos com a UNIVERSIDADE MACKENZIE, SP, BRASIL; ESEB/IPBRAGANÇA; e ESES/IPSETÚBAL, relativamente aos colóquios e a vários projectos nossos (como atrás ficou expresso) e Bragança, os seus professores do Politécnico, das escolas e dos liceus e demais população vão manter-se arredados da plateia do anfiteatro do Centro Cultural sempre alheada daquilo que deveria ser uma preocupação fundamental: a da preservação da língua e cultura dos seus antepassados.
Tal como em anos anteriores, este ano ao falar dos Crioulos e da Língua Portuguesa, devemos aceitar a Lusofonia e todas as suas diversidades culturais sem exclusão que com a nossa podem coabitar.
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